Sim, esse dia chegou! 🥳🎉hahaha
Desde o meu último post eu já vinha dando sinais de sobrecarga mental e cansaço. Isso era um sinal de que obviamente algo não ia bem na minha cabeça.
Mas teve um ponto de virada. Um momentum que eu não poderia deixar de perceber o que estava realmente acontecendo com a minha vida.
Eu estava tentando fazer a minha prova de direção pela 3ª vez, sem sucesso, por pura distração. Eu estava tão distraída que realmente acreditei que o meu cérebro estava apodrecendo. 🤔🤪
Não podia ser muito diferente, porque afinal de contas, eu passava quase que o tempo todo dando uma roladinha no feed infinito do instagram, dando uma olhadinha em mais um vídeozinho no Youtube (que mal há de fazer?), mais uma espiada no X ou no Threads e assim o meu dia ia oscilando entre trabalho (obviamente, em frente a uma tela) versus celular.
Foi ao não passar nessa 3ª vez que eu entendi que algo estava acontecendo na minha vida. Eu sabia o que precisava fazer, eu só não conseguia prestar atenção o suficiente. E eu sei que não sou uma retardada (desculpem os politicamente corretos, seu lugar não é aqui), eu sei que consigo compreender e executar comandos hahaha então, pelo amor de Deus, eu precisava conseguir me concentrar para passar nessa prova.
E foi aí que eu decidi que iria reduzir o que fazia a minha atenção dispersar. Ia desinstalar um jogo que me fazia perder algumas horas durante a semana e que, apesar de interagir com outros jogadores, era basicamente a mesma coisa, over and over again. Além disso, iria excluir os aplicativos que me faziam ler e ver coisas diferentes a cada segundo. O nosso cérebro não foi feito para ficar completamente acelerado dessa forma. Então excluí por uma semana e tentei fazer algo que os neandertais faziam: ler livros, pintar aquarela, cozinhar algo novo, etc.
Me senti no inferno. Literalmente, pois o calor – úmido, de desmaiar o Batista – na minha cidade, oscilava entre os 30° – 38°C nessa época do ano.
Passei dias terríveis, pegava o celular e automaticamente os meus dedos se direcionavam para o lugar em que os aplicativos costumavam ficar. Me sentia um macaco de laboratório sendo observada por mim mesma.
Então, tomei mais uma medida drástica: coloquei o celular em tons de cinza.
Estava basicamente um peso de papel, sem notificações, sem nada que pudesse chamar a minha atenção.
E por incrível que pareça, esse período horrível e até doloroso, foi passando e eu pude sentir o meu cérebro lentamente voltando ao normal. Mas veja, eu consegui resisitir bravamente por apenas umas 2 semanas. 🤡
Estava me sentindo o náufrago em uma ilha deserta, só eu, meu marido e meus livros, meu cérebro estava vivo, mas eu me sentia sem saber o que estava acontecendo no mundo. É claro que eu não precisava saber o que estava acontecendo, mas por exemplo, em uma call no trabalho, certo funcionário comentou que o Santo Papa estava gravemente doente. Isso acabou sendo um gatilho e me fez pesquisar sobre o que ele estava passando, eu precisava do relatório completo ou não teria sossego.
E isso me levou novamente a utilizar o Youtube pelo notebook, dar uma breve olhadinha no Instagram (apenas para ver a vida de quem eu gosto meeeesmo, palavra)… e obviamente isso não deu muito certo.
Mas eu já estava menos crackuda, sentia que o vício estava amortizado por esses últimos dias. Achava que eu poderia me conter no scroll infinito dos feeds dessas redes. Começou a acontecer outro problema: eu comecei a ficar muito incomodada com as pessoas que vinham aparecendo nos meus stories – gente do trabalho, ex-colega da putaqueopariu… que coisa insuportável. Por que essas pessoas precisam me seguir? Por que a gente precisa seguir de volta como uma forma de educação? Eu não quero saber como aquela pessoa que eu conheci em 2011 está… eu não falo com ela há mais de 10 anos, meu Deus do céu!
Então, depois de passar uns dias nessa angústia, resolvi tomar uma decisão: vou fazer essas pessoas me darem unfollow e vou parar de segui-las também (pois não sou uma arrombada, eu não deixaria elas me seguindo apenas para afagar o meu ego, eu nem as queria ali para início de conversa!).
Fiz isso, mas confesso que com algumas pessoas não tive coragem. Como eu vou parar de seguir o meu chefe?? Meus colegas de time? Não posso ser tão sem-noção, esses eu ainda me peguei seguindo por educação. Não me entenda mal, eu gosto dessas pessoas. Mas pouco me importa o que elas fizeram no final de semana, o que elas estão comendo, quem elas estão comendo. Isso não faz a menor diferença na minha vida e eu gostaria, realmente, de seguir apenas as pessoas que me interessam.
Daí eu entrei numa espiral de pensamentos… será que eu devo excluir essa conta? Criar uma com um nick aleatório onde nenhum conhecido vai saber quem sou eu e eu finalmente vou poder ser feliz, porra?!
E fiquei paralisada. Ainda não tive coragem de tomar esse passo, porque me sinto uma loser ao não poder tomar conta das minhas redes pessoais, por pressão da sociedade (quantos anos eu pareço ter ao falar isso, uns 12?). Que saco. 🐥
Mas o saldo positivo desse drama de garota cronicamente online é o seguinte: consegui ler muitos livros legais nesse último mês, entre eles: A amiga genial (⭐⭐⭐⭐⭐), A elegância do ouriço (⭐⭐⭐⭐⭐), Foco roubado (um livro legal, pena que o cara é um woke vagabundo ⭐⭐⭐), As leis fundamentais da estupidez humana (o título é super bait , esperava mais⭐⭐⭐), e estou lendo um que pode ser muito ruim mas estou dando uma chance, Hábitos Atômicos.
Assisti a muitos filmes legais também, finalmente utilizando para alguma coisa os streamings que ficavam lá, escanteados, coitados.
Enfim, eu queria deixar registrado essa catarse. Eu espero que algo de positivo de verdade surja desse período e gostaria de saber usar melhor o que a internet tem a oferecer. Não acho que a vida deva ser totalmente offline, mas é preciso uma certa parcimônia com o que se faz com o tempo livre. A gente acaba gastando muuuitas horas de uma vida que é uma só, você só vai ter essa idade uma vez, amanhã já estará um passo mais perto da morte. É dramático, mas às vezes, pode ser bom ler isso.
Não quero cagar regra na vida de ninguém, só quero que, se uma pessoa estiver passando por isso, encontre uma outra que também está tentando do lado de cá. Não vou finalizar com um “vamos juntas” porque isso é coisa de vegano, e se tem uma coisa que eu detesto é vegano. E esquerdista.
Um beijo, nos vemos em breve.
O tempo que as redes sociais nos tomam podem ser muito melhor aproveitados com hobbies e coisas do mundo real 👨🏫
Muito bom o post ❤️👏
Verdade! Obrigada pelo comentário. 😊💖